17.2.09

700
Por tão docemente te amar,
por ti
até dessalinizo o mar

701
São mais bonitas
as palavras não ditas
ou as não escritas?

702
Temos a mesma face tu e eu.
Imagem semelhante faz-se
entre deusa e ateu.

703
Que louco.
Atravessou o deserto
a nado.

704
E por seres tão linda
é que em Deus creio.
Se não existisses - que mundo feio!

705
Remixadas as novidades passadas.
Ah, o futuro antigamente
era pra ser esse presente?

706
Coitada
da santa paciência.
Morreu louca.

707
Apagou? Não.
A quem o delatou,
deletou.

708
Ô, Coisinha, belém bem.
Depois vou aí, viu,
devolver seus trem.

709
No exílio ser
inutensílio
a re-con-viver.

710
A teu universo me entrego.
Eu, para frágil encaixe,
mínima peça de Lego.

711
O relógio do Sol.
Seus raios, ponteiros
para milhões de horas.

712
Aguarde.
Deixe que o urgente
(seja) tarde.

713
Brigar comigo é brigar com a água.
Só que nunca entorno.
Sempre contorno.

714
Do que a serenidade é capaz.
Paz.
Jaz.

715
Minha luz é silenciosa.
Meu silêncio
te ilumina.

716
Os calendários não envelhecem.
Tudo passa.
Eles esquecem.

717
Como não sei o que dizer
aos teus olhos,
só os ouço.

718
Carinho:
carimbo
na pele.

719
Medo: hesitação.
Coragem:
excitação.

720
Enquanto isso,
Entrelinha
para uma frase.

721
Acabou-se o que era Dulce.
Acabou-se o que ela deu-me.
Abalou-me em si.

722
A solidão é íntima,
não de quem nunca está só
consigo mesmo.

723
O sol
te vê.
Aquece-o.

724
As dúvidas são escuras e frias?
Brilham as certezas,
ou ardem ao sol?

725
Será que há
mais corpos
que almas?

726
Sê:
anônimo.
e antônimo.

727
Se não te vejo,
sou olhar sem paisagens.
Nada a ver. Olhos para quê?

728
Não vou
em meu encontro.
Não estou pronto.

729
Tua vida contigo sempre está?
Ou há dias que em ti
nem vida há?

730
Embebeda-se
de sua grandeza.
Ressaca do mar.

731
Afie tuas lâminas,
e, para evitar outras feridas
guarde-as longe de tuas cicatrizes.

732
Mondrian:
quadrados em quadros
emoldurados.

731
Para que não fugisses tanto,
que outro nome
darias à realidade?

732
Ou o pensamento é mudo,
ou é a abstração
das palavras impensadas.

733
Em uma palavra,
tudo.
O mais sobra.

734
Não, não me ames.
Te sentirás
mais só.

735
Água
corrente.
A sede a segue.

736
Impossível alcançar,
eu,
meu próprio infinito.

737
Ouve a noite.
Ruídos de ti
não a deixam dormir.

738
Ela deu bola.
Mas...
não rolou.

739
Plante sementes
nas nuvens.
Elas ao chão virão.

740
Hímens
se
dão

741
Caiu em si.
Levou três pontos de interrogação
na cabeça.

742
Ficamos assim então:
eu com o sim,
tu com o não.

743
Deixe uma pergunta
no ar:
céu há?

744
Afinada em Sol
(e para dar som às cores),
estiquei imaginária corda no arco-íris.

745
És agora o que antes não eras,
nem nunca fostes:
imaginação.

746
Ela acha que não.
O não
é sua razão.

747
Ouçam os vivas
e o espocar
das ogivas.

748
Se há noite em excesso,
tem mais é que ser impossível
contar estrelas.

749
Aprendi
a escrever teu nome.
Amoralfabetizei-me.

750
Vamos dialogar.
Falas em silêncio,
ouvindo meu olhar.

751
Não ouso pronunciar teu nome.
Assim dou de segredar
a felicidade inominada.

752
Um dia, tem quantos
pensamentos teus em mim?
Eu não saberia te responder assim.

753
Em silêncio
não desperdiço palavras
e meu olhar te diz tudo.

754
Amanheça antes que seja tarde.
É cedo demais
para anoitecer.

755
No invisível te ouço
(mas no inaudível
não te vejo).

756
Sísifo
ficou doido
de pedra.

757
É impossível ou só difícil,
teleguiar a flecha
qual míssil?

758
Se é sublime, sublinha,
sem sublimar
o subliminar

759
Se amor há,
o amor é
e dá até.

760
Eternidade: a partir de agora,
daqui pra frente,
de hoje em diante.

761
Fogo e Água.
Para Vesúvio
e Dilúvio.

762
A bruta
delicadeza
lapido em mim

763
Em pensamentos, as tuas viagens
vêm com palavras
ou em imagens?

764
Tudo posso, nada faço.
O tempo não cabe
no espaço

765
Minha sede é outra.
Nada a sacia.
Água não há. Havia.

766
O vento que lento passa,
aos teus cabelos penteia
ou os embaraça?

767
Velho espelho,
sempre pronto
a dar conselho.

768
Vende-se
um par de luvas
de segunda mão.

769
Desde que aprendeste a andar,
de quantos passos dados
tem sido o teu caminhar?

770
Dormir
é no vazio de si
cair

771
Tira do corpo
a alma
- esvazia-te

772
O todo
em partes:
todas as artes.

773
Acende a luz
da revelação
no escuro do mistério.

774
Ela tem um quê
de querida
que nada quer.

775
Sou um
sem número
de estatísticas.

776
Asas,
a duras penas
voam e vão.

777
Deu um tiro
no pé.
Usava um 38.

778
Chega
de convers
afiada.

779
Ensimesmado
em si
mesmo.

780
Então
é ex-planeta
Plutão?

781
Para o túmulo
não levas
acúmulo.

782
O u t
b l a c k
w h i t e

783
Planeta
Ter
erra

784
No mato
sem
cacho

785
O coração parou
de abater
se

786
Z
pode ser
N (coisas)

787
Sede
de jus
taça

788
Sem sentir
não faz
sentido

789
Em caldo te tomo
e em frutas como
de ti cada gomo.

790
Ágeis e-mails,
arroubos
& spans

791
Gaiolas com pássaros fora.
Estes cantam e a liberdade
lhes é sonora.

792
Ordem estabelecida:
toda descida na ida
na volta vira subida.

793
Ah, o vaga-lume:
ora aceso ora apagado,
só assim se assume.

794
Mais que puro flerte,
realizo-me no sonho
de ainda pertencer-te.

795
Chove.
Mais dentro de mim estou.
O que sou se agasalhou.

796
De todos os modos.
Mas sempre diferentes
os modos todos.

797
O outono,
essa estação
mono.

798
Vontade de fugir
para dentro de ti.
Ficar aí. Nunca mais sair.

799
Pousada sobre uma pedra,
a leveza
da borboleta.